sábado, 13 de dezembro de 2014

GERAÇÕES


Antes de mim,
minha mãe.
Antes dela,
tantas outras.
Mães, mulheres,
avós, tias,
todas espírito,
todas coragem,
todas cargas,
todas carmas,
todas saudade,
todas solidão.
Todas elas,
todas eu,
todas nós.
Até, o dia,
em que o hoje se fizer ontem,
e eu, simplesmente,
deixar-me de ser
e me refizer nelas.

Lin Quintino

segunda-feira, 3 de março de 2014

Venha...



É assim que te quero,
na fome do meu desejo
e que venha como és,
nu, das palavras,
dos julgamentos,
da censura que te habita.

Venha nu, e me despe,
com esses olhos famintos,
com essas mãos ávidas
de desbravar o meu corpo.

Venha assim mesmo,
sem máscaras,
nada que te vede,
que te cubra o corpo,
venha e me decifre,
que eu farei o mesmo...



Lin Quintino

domingo, 2 de fevereiro de 2014

Ausência

Sempre achei
que a ausência era falta.
Era o vazio de alguma coisa
Que se fora,
e que deixara, em seu lugar,
 uma lacuna.
 E tentava suprir a falta,
 Preenchendo o vazio.

Hoje, a ausência não me incomoda,
Pois, não há falta na ausência
A ausência é uma presença, vazia
E gosto de senti-la ás vezes,
Porque a ausência é a única certeza

Da falta em mim...

Lin Quintino

sábado, 25 de janeiro de 2014

OLHOS

Tenho olhos cansados de chuva,
de torrenciais que desaguam em mim.

Tenho olhos perfilados de poesias
que a cada manhã brotam em mim.

Tenho olhos cansados de passos
que mais se distanciam caminhos.

Tenho olhos cansados de buscas
que na quietude se perdem.

Tenho olhos cansados de lágrimas
que margeiam minha face.

Tenho olhos cansados de esperas
assim, estou refazendo viagens.

Tenho olhos cansados de adeus
por isso, estou de passagem...

Lin Quintino

quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

Lacunas




Entre nós
há uma lacuna que nos separa.
Eu quero que você me veja nua,
Assim, me dispo da palavra.
Minha nudez te cala, mas
me denuncia e me espelha.

Eu me delato,
você me descreve,
eu nos acuso e denuncio,
assim, me livro das culpas
com as quais me visto
e você me despe...

domingo, 19 de janeiro de 2014

MOTIVOS


Tendo você ao meu lado
o mundo pode até me ferir
pode me despedaçar
que mesmo assim terei
um motivo pra lutar.

Se você está ao meu lado
eu sei que posso sonhar
que posso abrir minhas asas
e de novo voar
pois você é meu abrigo
meu motivo pra voltar.

Mas se você me deixar,
 a vida perde o sentido
desmorona tudo em mim
não saberei  mais de risos

nem terei vontade de existir.

Lin Quintino

segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

Teu Corpo

Dá-me o teu corpo
e proteja-me do frio
e mergulharei nele
no abismo dos teus olhos,
antes que amanheça o dia.

Traremos o mundo para dentro
Desse nosso ninho
E nossos sonhos
nos alimentará
e nenhuma palavra será dita
senão as que falem de amor.

Dou-te  da minha boca, os beijos
a percorrer teu corpo despido

acendendo em ti em nós o desejo...

ENTRE


"Hoje estou entrelinhas,
entre batentes, entrecortada,
entre montanhas,
entre rios, entre dentes
entre paredes,
entre palavras,
entre livros, entrelaçada,
entre fitas,
entre a cruz e a espada,
entre partir ou permanecer,
entre lutar ou desistir,
entre chorar e rir,
entre saudades e lembranças
entre ficar e partir
entre tudo entre nada...

Lin Quintino


terça-feira, 7 de janeiro de 2014


SOLIDÃO


Foi no silêncio da noite,
que uma letargia,
vazia, sem memória
ou sonhos
que me alimentassem
a ausência de sons, que despertei
pra mina condição solitária.
Os raros lampejos de consciência,
acompanhados de tristezas
que me vigiam a vida,
Neste vácuo, espécie de limbo, neutro,
Foi que vi, neste instante passageiro
De lucidez, uma voz interior que me chamava
Á realidade, e nesta inesperada clareza
Me percebo sozinha no escuro
Impregnada de solidão

E sem lugar nenhum pra fugir...

Lin Quintino

domingo, 5 de janeiro de 2014

Silêncios



Gosto da noite 
e do vazio de sombras.
Gosto do silêncio,
que percorre a madrugada.
Gosto do mistério, 
e dos desencontros da vida.
Gosto dos enganos,
dos encontros inesperados
e gosto da incerteza,
gosto de dormir em mim
e diluir-me em cinzas...

Lin Quintino

Despedida



Não acordei em teus braços,
hoje, sei que jamais acordaria.
Mas acordei com uma canção
que me parece agora
a mais triste do mundo
pois falava de despedida...

Lin Quintino

sábado, 4 de janeiro de 2014

Sentido



... Quando estico o sentido das palavras,
ultrapasso os limites, elas flutuam,

viram poemas...

Lin Quintino

Coisas que me compõem

Trago em mim
coisas que me compõem,
que me expõem,
trago medos,
lembranças,
desejos,
sonhos,
ausências,
permanências.
Estou no todo
estou em muitas partes,
nos fragmentos,
me diluo no texto,
me escondo nas entrelinhas.
Os que me conhecem
me aceitam,
os que desconhecem
condenam, rotulam
mas, a estes, pouco
me esgarça o tempo,
pois, já trago, em mim
muitos demônios

que todo dia exorcizo...

Lin Quintino